Será que estou no caminho certo? Será que isso tem um propósito? Será que devo continuar?

Foi assim que eu comecei a rezar entre agosto e setembro do ano passado, pouco antes de lançar as Caixas de Afeto.

Era uma coleção muito especial para mim, não apenas pelo trabalho que existia em cada peça, mas porque ela nasceu de um lugar muito íntimo da minha fé. Naquele período, fui convidada por duas pessoas muito queridas a viver os 40 dias de São Miguel Arcanjo. Minha coleção já estava pronta para ser lançada e, justamente durante aquele tempo, comecei a pedir muito a Deus, em oração, que me mostrasse se eu estava no caminho certo com o meu trabalho.

Eu amo o que faço. Sempre amei. Mas quem escolhe trabalhar com arte e, ao mesmo tempo, empreender sabe que existem momentos em que a gente se questiona.

E eu pedi a Deus que me mostrasse.

Pouco tempo depois, aconteceu. Na mesma semana em que eu fazia o Rosário de São Miguel, um dos meus posts alcançou uma proporção que eu nunca tinha vivido por aqui. A coleção foi vista por muitas pessoas, chegou a lugares que eu não imaginava e, de repente, aquilo que tinha começado tão pequeno ganhou uma dimensão enorme.

Eu poderia simplesmente contar essa história dizendo que uma publicação viralizou. Mas, para mim, não foi só isso.

Eu senti que Deus tinha respondido.

E, naquele mesmo período, vivi também algo que até hoje tenho dificuldade de explicar em palavras. Tive um momento muito especial em que senti, de verdade, a presença de Deus. Foi algo grandioso e profundo, e mesmo tentando explicar, sinto que não conseguiria transmitir exatamente o que vivi.

Só sei que, naquele dia, meu coração se encheu de uma graça que eu nunca tinha sentido daquela maneira. Eu estava tão feliz, mas tão feliz, que parecia que eu não cabia em mim de tanta felicidade. Foi uma alegria diferente. Não era por alguma coisa que tinha acontecido comigo. Era uma felicidade que simplesmente estava ali, preenchendo tudo.

E talvez tenha sido essa experiência que fez aquela resposta de Deus se tornar ainda mais concreta para mim. Porque, desde aquele momento, comecei a olhar para a minha própria história de um jeito diferente.

Durante muito tempo, achei que ter fé era pedir alguma coisa a Deus e esperar que Ele mostrasse claramente o caminho. Hoje entendo que é muito mais do que isso.

Ter fé é fazer a nossa parte mesmo quando não sabemos exatamente onde vamos chegar.

É continuar bordando quando ainda não sabemos quem vai receber aquela peça. É colocar amor em algo que talvez ninguém veja. É confiar mesmo quando o caminho parece incerto. É pedir um sinal, mas também estar disposta a reconhecer a resposta quando ela vem de uma forma que a gente não esperava.

E, principalmente, é entender que nem sempre a resposta de Deus está em grandes acontecimentos. Às vezes, ela está na paz que chega depois de uma oração. Na coragem de continuar. Em uma pessoa que aparece no caminho. Ou em um momento que ninguém mais consegue compreender, mas que, para nós, se torna uma certeza silenciosa de que Deus estava ali.

A coleção foi um sucesso, sim. Mas o que ficou para mim foi muito maior do que isso. Ficou a certeza de que o meu trabalho pode ser pequeno aos olhos do mundo e, ainda assim, ter um significado enorme para alguém.

Desde então, quando começo uma nova criação ou quando alguma insegurança aparece, tento me lembrar daquele período. Nem sempre eu sei para onde estou indo. Nem sempre sei se estou fazendo a coisa certa. Mas hoje tenho aprendido a caminhar mesmo assim.

Porque aprendi que ter fé não é enxergar todo o caminho.

É dar o próximo passo confiando que Deus já está lá.


 

As Caixas de Afeto que nasceram desse período estão aqui